BLOG DAS SERVAS

TEMPO DE PANDEMIA... ou de TRAVESSIA? Parte 2

Quem sou? para onde vou?


Há pouco tempo escrevi um breve texto sobre o tempo que estamos atravessando. Compartilhei um pouco daqui que experimento e vivencio no cotidiano do isolamento social. Um olhar teológico-espiritual. Tempo este de profundas travessias, descobertas, encontros, “perdas” e “ganhos”.


Tenho refletido e rezado em tantas dimensões da vida humana; experimentado e contemplado em meu interior mudanças, apelos, nascimento de novas idéias, atitudes. Acordado sonhos, desejos e encontrando-me com antigos e novos caminhos que me desafiam e são apelos interiores do Amado.


Surpreendo-me porque meu lado artístico e místico encontrou espaço em mim e pude dedicar mais tempo e cuidado ao meu jardim interior e exterior. Foi tempo propício para limpar plantar, podar, plantar no jardim, coisas que amo fazer.


Nesta dinâmica toda de Pandemia, fica em casa, usa máscara, lava as mãos, usa gel... surgiram algumas perguntas: – quem sou? Para onde vou? Como está minha casa interior neste tempo? que máscaras eu uso e para quê? Muitas perguntas vieram de graça e acredito para ser “graça” de transformação. Cheguei até partilha com uma amiga que estou em “metamorfose”. O tempo da pandemia transformou-se em mim “tempo de metamorfose”. E aguardo feliz o nascimento linda borboleta que ainda não tem nome, mas estou intuído que o nome mais lindo e acertado será - “libertação interior”.


Tempo de pandemia – “libertação interior”, não importa o nome... importa recolher-se e voltar para “dentro de sua casa”, sem medo das dores do “parto” . Aí na sua interioridade encontrar o “centro gravitacional” da própria vida. Viver a hospitalidade, o acolhimento de tantos que precisam de nós; que precisam de abrigo e proteção. Que precisam de um olhar, um abraço, uma palavra ou de escuta... mesmo que seja virtual. O ser humano no contexto social pós-moderno, não apenas perdeu de sua casa exterior e vínculo familiar, mas também se perde de sua “casa interior”. Pegou a “carona” de tantos vírus pós-modernos... perdeu o caminho, o endereço e a direção de sua “morada interior”.


Neste “Centro gravitacional”, faz-se importante revisitar nosso “Jardim Secreto”, buscar e beber do nosso “Poço” interior. Isto, se ainda houver ‘águas cristalinas’ que matam sua sede. Você tem cuidado de seu “poço” interior para não se contaminar com tantos venenos mortais da pós-modernidade?


As Estatísticas apontam milhões, bilhões de mortos no mundo. Ficamos assustados, mas no fundo pensamos: não estou nesta lista. Ou dizemos: eu me cuido; estou protegida/o.


- Como, tudo o que está acontecendo, o vemos e ouvimos, nos afeta? nos abre e compromete? Ou essas manchetes simplesmente passam pelos olhos, atravessas os ouvidos e escorrem pelo ralo do esgoto?


- Quem sou neste contexto?

É tempo de pandemia no mundo todo. Na liturgia estamos no tempo Pascal, de ressurreição e vida nova em Jesus Ressuscitado: “Precisamos adquirir uma consciência mais profunda da vida enquanto “seres já ressuscitados”, perceber as pulsões desta vida eterna que está em nós...”[1].