BLOG DAS SERVAS

TEMPO DE PANDEMIA 3

“Tudo está ligado, interligado, transligado”


Por mais incrível que pareça vivemos num tempo onde uma pandemia nos colocou a todos, sem distinção, no mesmo “lugar”, numa interdependência relacional, pois tudo está ligado, interligado, transligado.


O COVÍD19 não fez distinção de classes sociais, etnias, religiões,países, estados, política e partidos, culturas, mansões ou casebres, palácios ou templos... chegou e se alastrou em todo mundo, rapidamente.


Olhar nesta perspectiva pode nos apavorar, impactar, desanimar ou achar que não somos parte deste contexto. Ou buscar uma saída conjunta, por que estamos todos ligados e interligados nesta “Casa Comum”, nossa “mãe terra” e o nosso lindo planeta.


Somente o caminho da integração das relações nos levará a conscientizar-nos de que somos parte do todo, do planeta, do universo,uns dos outros e que, com todos os seres vivos, formamos a grande“Comunidade de Vida”[1]. Essa consciência Ecológica é início de uma jornada muito longa. Assim como a árvore gigante nasce de uma semente minúscula, a experiência seminal da contemplação da natureza e de todos os seres vivos interdependentes, nos tornará gradativamente seres ecológicos.


A linha divisória entre o mundo interior e o mundo exterior começa a diminuir à medida que nos aprofundamos na Ecoespiritualidade reconhecendo-nos, enquanto seres viventes, húmus=terra que,anda, pensa, ama, que canta... Em outras palavras, na unidade de um fluxo integrador da consciência de “ser parte”, começa o novo nas diferentes relações.


A narrativa da criação no livro do Gênesis, descreve que à medida que Deus criava, concluía que “tudo era bom” (Gn 1,10.12.18.21.25). O texto descreve a beleza do ato criador. O Deus Criador que sai do seu silêncio e se derrama, dá tudo de si, de sua beleza e bondade como presente.

E nós, estamos “no princípio” onde tudo é bom e belo, ou “no fim” com nostalgia de tudo o que era bom e belo? Talvez na “crise” onde precisamos recriar o belo, o amor, a ética, as novas relações de pertença, a capacidade de encantar-se, de contemplar, de compartilhar, de humanizar-se, ser húmus pronto para ser modelado e sentir-se parte da “Comunidade de Vida”. Não será este um caminho e superação e integração com o todo?


Alguns sintomas da crise ecológica que afeta todos os seres vivos: poluição do ar, da água e todos os efeitos dos agrotóxicos; poluição dos mares, envenenamento da água e os problemas dos diversos lixos; envenenamento da terra, a “revolução verde” e seus impasses: plantas transgênicas, destruição das florestas, queimadas e desertificação. E o que dizer da degradação da vida humana, dos povos nativos? Seria o ser humano responsável pelas catástrofes? O cristianismo ou as religiões?


O debate não pode ser só político, nem só tecnológico ou científico. Deve ser também sócio-ambiental, das “Espiritualidades” e religiões. Precisamos compreender e ressignificar o “criado”, a natureza, o universo e como comportar-nos e comprometer-nos com a VIDA em toda sua diversidade e amplidão.