/Notícias/
“Ser indígena hoje é sinônimo de resistência”

A fala que dá título a notícia é da primeira mulher a assumir a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Nara Baré.

Francinara Soares Baré, a Nara Baré, de 39 anos, é a primeira mulher a assumir a liderança da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), a maior organização indígena do Brasil, criada há 28 anos. A eleição aconteceu em 30 de agosto na aldeia do Alto Rio Guamá, no Pará, e reuniu cerca de 600 lideranças indígenas de toda a Amazônia brasileira.

Sobre a Coordenação

Fundada em 1989 e sediada na cidade de Manaus (AM), a Coiab representa 160 povos de nove estados amazônicos. São eles: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Juntos, abrangem cerca de 60% do total da população indígena do país, cerca de 440 mil pessoas. Somado a isso, reúnem 403 terras indígenas demarcadas e muitos outros territórios que ainda não foram regularizados.

Segundo a liderança, as mulheres tinham porta-vozes, que eram os irmãos, os pais e os maridos. “É diferente de hoje, porque estamos juntos com eles”, afirma.

História de Nara Baré​ 

Nascida em São Gabriel da Cachoeira, município localizado a 835 quilômetros de Manaus com acesso somente por vias fluvial e aérea, Nara é filha de mãe indígena da etnia Baré. O pai é paraibano. O município, que fica na região do Alto Rio Negro, na fronteira com a Colômbia e a Venezuela, possui 23 etnias diferentes, sendo que 90% da população é indígena. O restante dos habitantes são não-indígenas, sendo que a maioria formada por militares que atuam nas Forças Armadas na área fronteiriça.

Casada com um não-indígena e mãe de um filho – “por enquanto”, como ela mesmo enfatizou – de cinco anos, Nara Baré foi criada em um ambiente em que as mulheres não tinham tanta voz, mas já lutavam por isso e se destacavam pela iniciativa em conquistar o protagonismo do movimento indígena.

A tia-avó, Rosa, foi a primeira mulher eleita vereadora em São Gabriel da Cachoeira em um tempo que o sexo feminino sequer tinha direito ao voto mas, segundo contou Nara, as esposas dos militares convenceram os maridos a optarem por ela na hora do pleito. “Tia Rosa” foi até homenageada recentemente na cidade e ganhou um salão com seu nome na Câmara de Vereadores.

No entanto, Nara reconhece que o movimento para que as vozes das mulheres pudessem ser realmente ouvidas começou na região do Alto Rio Negro na década de 1980.

“Nós mulheres nunca tivemos a voz realmente. Nós tínhamos porta-vozes, que eram nossos irmãos, nossos pais, nossos maridos. É diferente de hoje, porque estamos juntos com eles. Hoje a nossa voz vai muito mais longe.”

Antes de ser eleita para a coordenação-geral, Nara atuou como tesoureira da Coiab. Ela também cursou administração na Universidade Estadual do Amazonas (UEA), mas não concluiu por já estar dedicando o seu tempo ao movimento indígena. Mas foi lá que ingressou no Movimento dos Estudantes Indígenas do Amazonas (Meiam) que, encabeçado por duas mulheres, estavam num processo de retomada do trabalho. Foi sua primeira participação efetiva em uma organização que trabalhava pela melhoria de vida dos povos indígenas. E foi nesse processo que percebeu que trabalhar pela causa seria sua melhor graduação.

“Devido a toda essa conjuntura, essa ameaça de direitos que vivemos no nosso país e que só vem piorando, a nossa luta é por uma causa, é pelo nosso direito de viver. É pelo bem-estar da minha família, dos povos indígenas. Minha faculdade hoje é o movimento indígena. Meus professores são os caciques”, afirma ela.

Atualmente, Nara mora em Manaus, mas a saudade do seu povo e da sua aldeia não cessa nunca. Sente falta do rio, da família, da alimentação e da liberdade de uma vida sem muros. “Mas minha mãe ainda me manda peixe, goma e tucupi.”

Nara conversou com a Amazônia Real sobre quais as metas da Coiab em sua gestão, da importância da mulher desempenhar um papel como liderança e a alegria de ser inspiração para demais indígenas de outras partes do país.

Confira a entrevista completa com Nara Baré, por Amazônia Real.

Fonte: Texto de Maria Fernanda Ribeiro, jornalista. Publicado em Amazônia Real, 22/09/2017.

O Sábado Santo é um dia “não-normal”, porque a morte de Jesus na Cruz deixa o silêncio, o vazio e a obscuridade.

“E o pão que eu darei é a minha carne dada para a vida do mundo” (Jo 6,51)

“Quem vos recebe, é a mim que está recebendo; e quem me recebe,  está recebendo Aquele que me enviou” (Mt 10,40) 

“Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que tu ligares na terra...” (Mt. 16,19) 

Please reload

Diante da presença e da ação do Deus Trinitário, afogam-se as palavras, desfalecem as imagens e morrem as especulações. 

“Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo” (Mt 5,13-14) 

Todos os anos, o 4º. Domingo de Páscoa inspira-se na imagem do “Bom Pastor”.

“Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles” (Lc 24,15)  

Please reload

Nara Baré, a nova voz dos povos indígenas da Amazônia (Foto: Apib)
  • Wix Facebook page
  • Wix Twitter page
  • Wix Google+ page

Links Recomendados

  • Grey Facebook Ícone
  • Grey Instagram Ícone

Fale Conosco

Rua Barão do Bom  Retiro, 559

Engenho Novo - CEP 20715-002

Rio de Janeiro - RJ

Tel. (21) 2501-7583

Copyright 2020 | Servas da Santíssima Trindade | Web design: www.artifices.com.br