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 Editorial  Servas

VOCAÇÃO: um chamado que nasce do coração da Santíssima Trindade

7 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 9 de ago.


É agosto! Mês por excelência em que a Igreja do Brasil nos convida a refletir sobre o dom das vocações, reconhecendo que toda vida nasce do amor de Deus e é chamada a tornar-se uma resposta generosa ao seu projeto.


Mais do que uma programação voltada às vocações, este é um tempo privilegiado para renovar a consciência de que todo(a) batizado(a) é vocacionado(a) e enviado em missão.


Toda vocação nasce do coração amoroso da Santíssima Trindade, fonte e origem de todo chamado. Todo ser humano é vocacionado à vida; portanto, antes de qualquer missão ou estado de vida, cada pessoa é chamada a acolher o dom da própria existência e a viver uma relação de amor e de intimidade com o Deus da vida. E, ao longo do caminho, é convidada a escutar a Voz que a chama e responder, com amor e liberdade, a esse convite.


À luz do pensamento de Amadeo Cencini, a vocação é sempre um dom insondável que envolve toda a existência humana, seduz e habita a pessoa. Ela nasce da iniciativa amorosa de Deus e, aos poucos, revela-se no coração da pessoa vocacionada, que mergulha profundamente no mistério da Trindade. Portanto, cada pessoa é convidada a descobrir que toda a sua vida é dom, vocação e chamado.


Segundo a poetisa Adélia Prado, "vocação é um afeto". Deus afeta o ser humano com sua presença: toca, aproxima, interpela, desperta e provoca cada pessoa a tomar consciência de sua existência e a encontrar o seu lugar no mundo, para que alcance sua plena realização. Deus nunca impõe; esse "afetar" é sempre um convite, e a resposta é um ato de liberdade.


Duas belezas se encontram: a beleza divina e a beleza humana. Nessa relação amorosa, a pessoa vocacionada, seduzida por aquilo que somente Deus Trindade pode oferecer, rende-se a uma resposta de amor incondicional. Torna-se capaz de "deixar tudo" para estar com o Todo. É uma escolha de amor: "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi" (Jo 15,16). A tomada de consciência da própria vocação, a abertura interior, o deixar-se encontrar pelo seu mistério e a escuta atenta de quem é chamado são a chave para uma resposta livre e feliz. É permitir que Deus entre nas profundezas da própria vida, rasgando os véus que escondem a nudez das fragilidades, das dores e alegrias, dos limites e das possibilidades.


Responder ao chamado exige coragem, sensibilidade, abertura de coração e permanente disposição interior para, a cada dia, colocar-se a caminho como aprendiz da vida. Afinal, a vocação não é um acontecimento isolado, mas um caminho que se renova diariamente,

sustentado pela graça d'Aquele que continua chamando e conduzindo seus filhos(as) à plenitude do amor.


O ser humano encontra sua plena realização quando descobre o seu lugar no mundo e coloca seus talentos, de forma gratuita e generosa, a serviço do amor, doando a própria vida em favor dos irmãos(ãs).


Nesse sentido, a comunidade eclesial é o espaço, por excelência, para a descoberta e o amadurecimento da vocação, para a experiência do sagrado, verdadeira incubadora de sonhos e esperanças. Pela riqueza e diversidade de encontros, experiências de fé, fraternidade e serviço aos irmãos(ãs), favorece a comunhão, o sentido de pertença e a corresponsabilidade na missão.


Mas os espaços não eclesiais também são um terreno fértil para uma experiência com o transcendente, para a descoberta da própria vocação e para o amadurecimento da resposta ao chamado de Deus. É na realidade da vida, da família, do trabalho, da escola, da convivência social e em outros espaços, muitas vezes considerados hostis à fé, que a graça de Deus se manifesta atuante. Tocada por esse amor gratuito e transformada por ele, a pessoa descobre que sua vida é dom e torna-se capaz de reconhecer sua vocação e responder, com liberdade, coragem e esperança, ao chamado divino.


Toda a vida é marcada pela iniciativa divina, desde o chamado à existência até o encontro definitivo com Deus. O chamado não está restrito a uma determinada idade ou etapa da vida. A vocação é uma realidade permanente, que acompanha toda a existência humana, e todas as pessoas são destinatárias desse chamado, inclusive aquelas que, por limitações ou preconceitos, não são consideradas capazes ou dignas de uma vocação específica. Portanto, Deus chama todos, sem distinção. Não é a ausência de chamado que impede a resposta, mas, muitas vezes, as circunstâncias da vida e a falta de chamadores que ajudem as pessoas a reconhecer e acolher a voz de Deus, que suscita vocações para além dos critérios e expectativas humanas, em todas as etapas da vida.


É tempo de esperançar! Somente uma Igreja profundamente trinitária será capaz de construir uma cultura vocacional que leve todas as pessoas a encontrarem o sentido de suas vidas, fazendo florescer a beleza da vocação e revelando ao mundo a grandeza do chamado de Deus.


Ir. Lourdes Aparecida Marcate




Referências

CENCINI, Amedeo. Redescobrindo o mistério: guia formativo para as decisões vocacionais. Tradução de Tomás Belli. São Paulo: Paulinas, 1999

BÍBLIA. Bíblia Pastoral. São Paulo: Paulus, 2014.

PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO RIO DE JANEIRO. A encarnação do afeto: mística e poesia. Disponível em: https://www2.dbd.puc rio.br/pergamum/tesesabertas/1011813_2012_%20cap_3.pdf?utm_source=chatgpt.com

 
 
 

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